Preços globais de energia disparam com crise no Oriente Médio interrompendo transporte marítimo e produção de petróleo.

3 março 2026
© Adobe Stock/blackday
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Os preços globais do petróleo e do gás dispararam na terça-feira, com a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã interrompendo as exportações de energia do Oriente Médio. Teerã atacou navios e instalações de energia, fechou a navegação no Golfo Pérsico e forçou a paralisação da produção do Catar ao Iraque.

O contrato de referência do petróleo bruto Brent subiu quase 8% na terça-feira, ultrapassando os US$ 83 por barril, o maior valor desde julho de 2024, elevando os ganhos desde sexta-feira para mais de 15%. Os preços do gás na Europa dispararam até 40% antes de reduzirem os ganhos, somando-se à alta de 40% registrada na segunda-feira. Os preços do açúcar, fertilizantes e soja também subiram.

O conflito corre o risco de desencadear um novo pico de inflação que poderia sufocar a recuperação econômica na Europa e na Ásia, caso a guerra se prolongue em uma região responsável por pouco menos de um terço da produção mundial de petróleo e quase um quinto da produção de gás natural.

O Iraque, segundo maior produtor da OPEP, afirmou na terça-feira que poderá ser forçado a reduzir a produção em mais de três milhões de barris por dia em poucos dias, caso os petroleiros não consigam se deslocar livremente até os pontos de carregamento, de acordo com dois funcionários do setor petrolífero iraquiano.

Na terça-feira, o Iraque havia reduzido a produção do campo petrolífero de Rumaila em 700.000 barris por dia e cortado 460.000 barris por dia do campo de West Qurna 2, disseram as autoridades.


TRANSPORTE MARÍTIMO PARALISADO, PRODUÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS REDUZIDA

O tráfego pelo Estreito de Ormuz foi interrompido pelo quarto dia consecutivo após o Irã atacar cinco navios, bloqueando uma importante via navegável responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e GNL.

O número de navios-tanque que transitaram pelo estreito caiu para quatro em 1º de março, um dia após o início das hostilidades, em comparação com uma média de 24 por dia desde janeiro, segundo dados de rastreamento de navios da Vortexa. Três dos quatro navios tinham bandeira iraniana.

Centenas de navios-tanque carregados com petróleo e GNL estão retidos perto de grandes centros, como o porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, sem conseguir chegar aos clientes na Ásia, Europa e outros lugares.

Algumas empresas estão tentando encontrar rotas alternativas.

gigante petrolífera saudita Aramco A Aramco está tentando redirecionar parte de seu petróleo bruto para o porto de Yanbu, no oeste do Mar Vermelho, mas fontes, incluindo compradores, comerciantes e analistas, afirmaram que o oleoduto leste-oeste da Aramco tem capacidade limitada e pode se tornar alvo de ataques por parte dos aliados do Irã.

Na terça-feira, um tanque de combustível no porto comercial de Duqm, em Omã, foi atingido por um drone, e um incêndio deflagrou em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais centros petrolíferos da região, o que atrasou o reabastecimento de navios e poderá transferir a procura para outros portos, incluindo Singapura.

Na segunda-feira, o Catar desativou suas instalações de gás natural liquefeito, algumas das maiores do mundo, que fornecem cerca de 20% das exportações globais de GNL; a Arábia Saudita suspendeu a produção em sua maior refinaria doméstica; enquanto Israel e o Curdistão iraquiano também interromperam grande parte de sua produção de gás e petróleo.

Em outras partes do mundo, refinarias chinesas começaram a fechar unidades em resposta ao impacto do conflito no fornecimento de petróleo bruto, enquanto a Índia, um dos países mais dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio, afirmou ter começado a racionar o fornecimento de gás para as indústrias após a paralisação da produção no Catar.


O aumento dos preços da gasolina representa riscos políticos.

Nos Estados Unidos, onde os preços da gasolina são um importante ponto de pressão política, o custo ultrapassou os 3 dólares por galão pela primeira vez desde novembro, apenas algumas semanas depois de o presidente Donald Trump ter alardeado suas conquistas em reduzir os preços para 2 dólares.

O aumento dos preços da gasolina representa um risco significativo para Trump e seus colegas republicanos, às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o secretário de Energia, Chris Wright, anunciarão na terça-feira planos para mitigar o impacto da alta dos preços sobre os americanos, afirmou o secretário de Estado, Marco Rubio.

A maior parte do GNL do Catar flui para a Ásia, mas uma parte também chega à Europa, que depende inteiramente de importações para suprir suas necessidades de petróleo e gás. Espera-se que a Europa se esforce para repor seus estoques, esgotados pelo rigoroso inverno, e precise depender ainda mais do gás americano, após ter rejeitado o gás russo depois da invasão da Ucrânia em 2022.

As taxas de frete marítimo em todo o mundo também dispararam para um nível recorde, à medida que o conflito se intensificou e Teerã passou a atacar navios que passam pelo estreito.


AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES DE MÍSSEIS

Especialistas em segurança ocidentais estão tentando avaliar quantos mísseis e drones o Irã ainda possui para manter a intensidade de seus ataques.

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Omã e o Kuwait conseguiram, até agora, interceptar a maioria dos mísseis e drones que tinham como alvo instalações de energia, portos e aeroportos, mas as preocupações aumentam caso seus estoques de armas antidrone e antimísseis estejam diminuindo.


(Reuters)

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