Os Estados Unidos estão permitindo que um navio-tanque russo carregado de petróleo bruto chegue a Cuba, informou o New York Times no domingo, possivelmente concedendo uma tábua de salvação à ilha caribenha em meio a um bloqueio de petróleo de fato imposto por Washington.
Dados de rastreamento de navios mostraram que o petroleiro Anatoly Kolodkin, de bandeira russa, estava no domingo próximo à ponta leste de Cuba.
A reportagem do The Times, citando um funcionário americano a par do assunto, afirmou que não estava claro por que a Guarda Costeira dos EUA estava permitindo a passagem do carregamento. Uma ação de Washington para bloquear o petroleiro à força, no entanto, poderia ter aumentado as tensões no mar com a Rússia.
A Guarda Costeira encaminhou as perguntas sobre o assunto à Casa Branca, que não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
O presidente dos EUA, Donald Trump, bloqueou efetivamente todos os carregamentos de petróleo para Cuba, numa tentativa de pressionar o governo em Havana. Em outra frente, os EUA aliviaram temporariamente as sanções contra a Rússia para ajudar a melhorar o fluxo de petróleo, que estava restrito devido à guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
Entretanto, o navio Anatoly Kolodkin está a caminho de Cuba. A embarcação partiu do porto russo de Primorsk transportando cerca de 650 mil barris de petróleo bruto, conforme dados de monitoramento de navios da LSEG.
Segundo o site de rastreamento de navios Marine Traffic, o navio poderá descarregar em breve no porto de Matanzas, em Cuba, caso não altere seu curso atual.
Essa quantidade de petróleo proporcionaria um alívio significativo a Cuba, que, segundo o presidente Miguel Díaz-Canel, não recebe importações de petróleo há três meses, o que levou a um rigoroso racionamento de gasolina e agravou uma crise energética que resultou em múltiplos apagões em todo o país governado pelo regime comunista.
Quando os militares dos EUA capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro e o levaram de volta aos EUA para enfrentar acusações de tráfico de drogas, removeram do poder um aliado cubano crucial que vinha fornecendo petróleo a Havana em condições favoráveis.
O governo Trump bloqueou todos os embarques de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas punitivas a qualquer terceiro país que fornecesse petróleo à ilha caribenha, levando o México a interromper suas exportações para Cuba.
Outro navio de origem russa, o Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, tinha como destino Cuba com 200 mil barris de combustível, mas foi desviado para a Venezuela.
(Reuters - Reportagem de Daniel Trotta em Carlsbad, Califórnia, Marianna Parraga em Houston e Steve Holland em Washington; edição de Costas Pitas, Jonathan Oatis e Paul Simao)